21 junho 2009

Sobre a queda do diploma de jornalismo

JANIO DE FREITAS

A liberdade das más razões

É falsa a ideia de que o jornalismo profissional seja o repositório da liberdade opinativa


"LIBERDADE de expressão" não é uma expressão de liberdade, é uma fórmula cuja utilidade política está em encobrir limitações e condicionantes do direito de expressão. Umas necessárias à sociedade, outras impostas para preservação de domínio.
Magistrados e advogados abusaram do uso da expressão que sabem ser falaciosa, para chegar à extinção, pelo Supremo Tribunal Federal, da exigência de diploma específico para profissionais do jornalismo. A exigência, não nascida dos motivos repetidos no STF, foi um excesso problemático desde sua criação em 1969, mas nem por isso deixou de produzir um efeito muito saudável e nunca citado, no STF ou fora. Em lugar do diploma específico, a obrigatoriedade de algum curso universitário, não importa qual, seguida de um curso intensivo de introdução aos princípios e técnicas do jornalismo, seria a fórmula mais promissora para a melhor qualidade dos meios de comunicação.
É um argumento rústico a afirmação de que diploma obrigatório de jornalismo desrespeita a Constituição, por restringir o direito à liberdade de expressão. É falsa essa ideia de que o jornalismo profissional seja o repositório da liberdade opinativa. São inúmeros os meios de expressão de ideias e opiniões. E, não menos significativo, a muito poucos, nos milhares de jornalistas, é dada a oportunidade de expressar sua opinião, e a pouquíssimos a liberdade incondicional de escolha e tratamento dos seus temas. (A esta peculiaridade sua, a Folha deve a arrancada de jornal sobrevivente para o grande êxito).
A matéria-prima essencial do jornalismo contemporâneo não é a opinião, é a notícia. Ou seja, a informação apresentada com técnicas jornalísticas e, ainda que a objetividade absoluta seja um problema permanente, sem interferências de expressão conceitual do jornalista. A grande massa da produção dos jornalistas profissionais não se inclui, nem remotamente, no direito à liberdade de expressão. Há desvios, claro, mas a interferência de formas opinativas no noticiário serve, em geral, à opinião e a objetivos (econômicos ou políticos) da empresa. Neste caso há, sim, uma prática à liberdade de expressão, no entanto alheia ao jornalismo, aí reduzido a mera aparência de si mesmo.
Os colaboradores, não profissionais de jornalismo, são os grandes praticantes do direito de liberdade de expressão nos meios de comunicação. E nunca precisaram de diploma de jornalista. A extinção da exigência de diploma em nada altera as possibilidades, as condicionantes e as limitações da liberdade de expressão na produção do jornalismo. Altera o que chamam de mercado de trabalho para os níveis iniciais do profissionalismo. Para os níveis mais altos, há muito tempo as empresas adotaram artifícios para dotar suas redações de diplomados em outras carreiras que não o jornalismo. À parte a questão legal, o resultado é muito bom.
Com o diploma, extinto à maneira de um portão derrubado e dane-se o resto, o STF eliminou sem a menor consideração o efeito moralizante, não só para o jornalismo, trazido sem querer pela exigência de curso. Efeito sempre silenciado. Deu-se que os anos de faculdade e seu custo desestimularam a grande afluência dos que procuravam o jornalismo, não para exercê-lo, mas para obter vantagens financeiras, sociais e muitas outras. Tal prática sobreviveu à exigência do curso, porém não mais como componente, digamos, natural do jornalismo brasileiro. É lógico que as empresas afirmem critérios rigorosos para as futuras admissões, mas sem que isso valha como segurança de passar da intenção à certeza.
O julgamento do recurso antidiploma trouxe uma revelação interessante, no conceito que a maioria do Supremo e os advogados da causa mostraram fazer da ditadura. Segundo disseram, já a partir do relatório de Gilmar Mendes, o decreto-lei com a exigência de diploma era um resquício da ditadura criado, em 69, para afastar das redações os intelectuais e outros opositores do regime. Ah, como eram gentis os militares da ditadura. Repeliram a violência e pensaram em uma forma sutil, e legal a seu modo, de silenciar os adversários nos meios de comunicação, um casuísmo constrangido.
Nem que fosse capaz de tanto, a ditadura precisaria adotá-lo. Sua regra era mais simples: a censura e, se mais conveniente, a prisão.
O julgamento no STF dispensou a desejável associação entre direito à liberdade de expressão e, de outra parte, recusa a argumentos inverazes. A boas razões preferiu a demagogia.

Fonte: Folha de São Paulo, 21 de junho de 2009, [http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2106200906.htm]

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06 agosto 2007

Nossa mídia é independente? Um exemplo da revista Época

Da coluna Toda Mídia (para assinantes), de Nelson de Sá, na Folha de São Paulo (06/08/2007).

Na capa do "Wall Street Journal" sobre "o homem mais rico do mundo", "Slim faz seus bilhões à velha maneira: monopólios". Na primeira frase do texto, "Slim é o Senhor Monopólio do México". Já na revista "Época", da Globo, associada de Slim na Net, lá pelo meio do texto, o registro de que, "tanto Bill Gates [o mais rico anterior] quanto Carlos Slim enfrentam competidores, mas ambos têm conseguido manter níveis elevados de controle de seus mercados".
Em quadro no "WSJ", as diretrizes de Slim, tipo "negar acesso a sua rede", "dumping" etc. Em quadro na revista, as "regras de ouro do bilionário", oficiais, tipo "otimismo sempre rende frutos", "manter austeridade fortalece" etc.

Como garantir, então, que os interesses do mercado neo-liberal não se sobreponham em tantos outros temas cobertos pela imprensa, se no caso do tratamento do modelo de riqueza do mexicano Slim, parceiro da Globo, temos tamanha conivência. Agora pensemos no bombardeio sobre a Infraero. É uma empresa que rende milhões em taxas, mensalmente. Quanta gente não deve estar louca para decretar sua incompetência nas mãos do Estado, para justificar a "necessidade" da privatização da estatal que gerencia os aeroportos nacionais?

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22 junho 2007

Fórum Mundial de Editores destaca novas mídias

Algumas conclusões do Fórum Mundial de Editores realizado na Cidade do Cabo - África do Sul, podem suscitar reflexões sobre o ensino do Jornalismo, Nova tecnologias e Contextualização do assuntos publicados na mídia.
Segundo os editores, se fossem investir em qualidade editorial, a maioria deles e também executivos de jornais iria treinar seus jornalistas em novas mídias. Em 2o lugar, investiriam em mais opinião e mais análise. Os dados são resultado de uma pesquisa realizada com 435 editores e executivos de jornais e apresentada durante o Fórum. 66% dos entrevistados acreditam que as paginas de opinião e análise vão crescer progressivamente em importância.
No geral, os pesquisados revelaram otimismo - 79% disseram que as novas mídias são um fato positivo e 40% disseram que em 10 anos a leitura de noticias online será a maneira mais comum de consumir conteúdo jornalístico.
Quase a metade respondeu que espera que a maior parte do conteúdo de noticias - impresso ou online - vá ser gratuito no futuro. Embora 1/3 dos entrevistados veja os jornais gratuitos como uma novidade bem vinda, 29% encaram como uma ameaça. Para 51%, a qualidade do jornalismo em geral vai melhorar.

Marcio Ferreira
Do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), por mail.

Leia também artigo de Luciano Martins Costa, publicado no Observatório da Imprensa.

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