22 junho 2006

Do papel alumíno ao papel digital: A Revista O Cruzeiro on line


Em 10 de novembro de 1928, a Revista O Cruzeiro anunciava as previsões para o ano 2000 do professor F. Laboriau, "cathedratico de Metallurgia da Escola Polytechnica". Hoje podemos nos deliciar com textos como esse da revista O Cruzeiro graças a digitalização dos originais realizada pelo projeto Memória Viva.

No texto "A Éra das Forças Hydraulicas", o professor Laboriau, previa que o Brasil atingiria 200 milhões de habitantes (chegou perto!) e definiu o período como a "era da eletricidade" e apontou o alumínio como o metal do futuro: "Na era da electricidade o rei dos metaes é o aluminio, retirado das argilas pela energia electrica. O aluminio supplantou, com as suas ligas, o ferro, pesado demais e facilmente oxydavel, e ainda substitui o papel, tão facilmente deterioravel. De aluminio são os livros. É em folhas de aluminio que se escreve."

Mas não foi propriamente um metal que revolucionou o século XXI, mas um mineral semi-condutor e presente em quase todos os organismos: o silício. Mas em parte acertou o professor Laboriau: o silício pode ser retirado ou encontrado nas argilas. E do silício nasceram os microprocessadores que substituíram os transistores à valvula e possibilitaram, em seu funcionamento complexo, o que hoje se denomina a voz corrente a Era da Informação.

Hoje, os livros não são de alumínio como previu Laboriau, mas de plasma digital, escritos e processados em chipes cada vez menores com o recurso da nanotecnologia. Em alguns centímetros podemos encontrar milhões de transistores graças a processos nanométricos. A informação processada é a nova energia.

Em forma digital, a revista O Cruzeiro e seus exemplos de bom jornalismo podem ser novamente saboreados pelos leitores mais jovens. [Por Juciano Lacerda]

Vale apena fazer uma visita:
Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da USP.

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