18 novembro 2006

Jornalismo sem precisão e sem fatos

Há algum tempo em comentários que faço no Observatório da Imprensa e em mensagens que enviei para ombudsman da Folha de São Paulo, fiz crítica ao jornalismo de imprecisão com que vem trabalhando o jornal paulista e seguido por tantos outras publicações nacionais, reféns de declarações de autoridades e sem o menor exercício de investigação jornalística para confrontá-las.

Ontem, Marcelo Beraba, ombudsman da FSP comentou essa postura do jornal em sua coluna diária. Destaco o texto:

Acredita, deve, cogita (FSP 17/11/06) - Marcelo Beraba

Profusão de textos com verbos imprecisos.

- "CPI vê ligação entre deputado petista e envolvidos com dossiê" (pág. A9 da Ed. Nac. e A8 da Ed. SP): "...Fernando Gabeira disse acreditar que Abicalil [deputado Carlos Abicalil, PT-MT) tenha envolvimento". É uma questão de fé, portanto.

- "PF cogita atribuir a envolvidos no caso do dossiê responsabilidade por crime eleitoral" (pág. A9 da Ed. Nac.) e "PF pode indiciar envolvidos no dossiê por crime eleitoral" (A8 da Ed. SP). Em relação ao caso dossiê, a questão levantada ontem por Janio de Freitas continua pertinente: de que crimes foram acusados os petistas na hora da prisão em SP?

- "Serra deve dar pasta a engenheiros que trabalhou com FHC" (pág. A10): "...o governador eleito estuda criar...", "...José Luiz Portela deverá assumir...", "...a secretaria ... deverá ser ocupada...", "...Portela ... teve o nome cogitado...", "...ele está cotado...", "...Pinotti é apontado...".

Aliás, como é uma reportagem inconclusa sobre o futuro secretariado de Serra, não há justificativa jornalística para o destaque que teve na Edição Nacional. Em compensação, uma informação relevante para os leitores do Rio (que recebem a Edição Nacional) foi ignorada pelo jornal, que foi o surpreendente acordo firmado entre o governador eleito Sérgio Cabral e o prefeito Cesar Maia.

Ao contrário do jornalista Alberto Dines, no Observatório da Imprensa, Marcelo Beraba tem se mostrado mais comedido até mesmo com a cobertura da própria Folha de São Paulo em relação aos telefones da empresa com sigilo quebrado pela Polícia Federal. O que demonstra em seu comentário:"O jornal pede com razão que a PF seja menos leviana, mas não hesita em publicar dados que vazam a conta-gotas de inquéritos inconclusos" Confira-o na íntegra.

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