10 agosto 2006

Internet terá peso significativo nas eleições 2006 no Brasil?


Nelson de Sá, colunista da Folha de São Paulo, fez reportagem especial para o Caderno de Informática, cujo enfoque é a possibilidade de a Internet ser um dos espaços privilegiados pelos candidatos brasileiros, uma vez que os showmícios, outdoors, cartazes e faixas de rua, bonés e camisetas estão proibidos. Esta será nossa primeira com maior ênfase midiática. As estratégias estão essencialmente voltadas para a campanha televisiva e radiofônica. E numa perspectiva de gerar interação e falar para um público seleto, entra em destaque a Internet.

A reportagem de Nelson de Sá e da reportagem local da Folha faz um apanhado sobre os sites dos presidenciáveis, sobre criação de blogs, legislação brasileira aplicada à Internet (a mesma que a da TV). Outro aspecto interessante é a cobertura das eleições 2006, em que os sites/blogs de empresas jornalísticas, de jornalistas, cidadãos e organizações sociais entram no páreo. O acesso ao material completo somente para assinantes, mas dá para ler as reportagens:

Políticos transformam internet em arma de campanha
Candidatos se lançam em corrida na rede
Cobertura eleitoral fica a cargo de portais e de blogs

No Brasil, somente 9,39% da população tem acesso à Internet no domicílio, segundo o Comitê Gestor da Internet brasileira (CGI.br). Os dados são da PESQUISA SOBRE O USO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO - TIC DOMICÍLIOS, do Núcleo de Informação e Coordenação do CGI, e foi realizada entre agosto e setembro de 2005. Esses números, além de evidenciarem o desequilíbrio do acesso à Internet no Brasil, destacam que essa pequena parcela da população representa uma renda familiar de acima de R$ 500,00, sendo que 33,70% (destes 9,39% da população brasileira) têm renda acima de R$ 1.800,00.

Mais de 75% dos brasileiros conectados em casa têm curso superior incompleto ou completo. Representam 11% dos homens e 7,9% das mulheres brasileiras, 63% da "classe A" e 33,97% da "classe B", somente 7, 63% da "C" e 0,95% da "DE". Em relação às regiões metropolitanas, 18,85% concentram-se em Brasília, 15,27% estão em SP, 12,41% no RJ, 13,79 em Curitiba, 11,65% em Salvador, 11,55% em Porto Alegre e 8,06% no Recife. Poderíamos chamar esse seleto grupo de brasileiros de esfera pública política informacional? Tal concentração demonstra que a idéia de democracia direta defendida por Pierre Lévy e outros entusiastas da cibercultura ainda tem lacunas e contradições concretas.

O peso da Internet nas campanhas eleitorais brasileiras em 2006 estará concentrado nos grandes centros metropolitanos, o que conferirá peso significativo ao pleito nacional para presidência. Teremos uma campanha política ímpar, cuja comunicação partidária envolverá um meio de comunicação milenar (os muros), a mídia que marcou o século XX e a modernidade (rádio e televisão) e o meio que despontou no limiar do século XXI: a Internet. [Por Juciano Lacerda]

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