13 novembro 2009

Cultura Popular e Indústria Cultural

Juciano Lacerda
Prof. DECOM/UFRN

O Brasil celebrou o Dia Nacional da Cultura em 05 de novembro, data do nascimento do jurista Rui Barbosa. Bem, não vou me deter em historiografar a vida do nosso famoso intelectual brasileiro. Nestas linhas que abrem minha primeira participação no Jornal A Ordem, quero problematizar a noção de culturas, no plural mesmo. Por muito tempo, tivemos uma separação entre cultura popular e cultura erudita (clássica, culta ou como queiram chamar).

Para os estudiosos da Escola de Frankfurt (Alemanha), nos anos 1940, em plena II Guerra Mundial, a cultura erudita seria aquilo que poderia levar os homens e mulheres ao “esclarecimento”, uma vez que as manifestações populares de cultura tinham, para eles, caráter rudimentar, ainda por ser trabalhado, lapidado. Entre os anos 20 e 40 do século passado, com a expansão de mercados e a popularização do rádio, do cinema, seguido depois da televisão, as empresas de comunicação se apropriaram das formas populares e cultas das diversas culturas e traduziram-nas numa linguagem mais comercial, tendo em vista chegar a um maior número de pessoas. Era o nascimento do que chamamos “cultura de massa”. Mas o que aconteceu, de fato, foi a transformação das expressões artísticas populares e eruditas em produtos para o consumo, para gerar audiência e, portanto, lucro para os mercadores da comunicação. Este fenômeno foi denominado de “indústria cultural” por Theodor Adorno, intelectual alemão.

O fenômeno da indústria cultural vem ganhando cada vez mais força em nossos tempos: indústria da música, indústria dos filmes, indústria dos livros. Em se tratando das nossas manifestações culturais populares, vivemos um grande paradoxo (fenômeno que traz em si seu contrário): por exemplo, queremos dar visibilidade a nossas danças e ritmos locais, daí procuramos uma produtora musical. Contudo, as empresas fonográficas sobrevivem do lucro e, na maioria das vezes, não vão querer publicar CDs e DVDs com a sonoridade original e característica de nossa música: “pois não vende! Não tem apelo comercial!”, vão nos dizer. O resultado é que muitas pessoas passam a conhecer nossa expressão popular, depois que sai na imprensa, na televisão, mas o resultado do CD/DVD não é mais o mesmo: ficou diferente, para agradar um público maior. Nossa cultura popular se descaracteriza e ganha um contorno de cultura massiva.

A pergunta que fica é: por que temos que nos descaracterizar para atender a um suposto “gosto médio”? Se tudo se tornar uma experiência pela média, sem guardar suas particularidades e distinções, que graça vai ter nossa produção cultural, se tudo fica igual? É preciso, portanto, encontrar novas formas de disseminação de nossas práticas culturais populares que preservem sua originalidade, reinventando a indústria cultural.

*Artigo publicado no Jornal A Ordem, de Natal-RN, no dia 01 de novembro de 2009.

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