25 maio 2006

Imigração e Território em debate multidisciplinar


Conhecimento, discussão e participação. O XI Seminário da APEC (Associação dos Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na Catalunha), com o tema Imigração e Território, aconteceu nos dias 18 e 19 do corrente ano, na Casa América Catalunha, em Barcelona. O evento conseguiu reunir esses valores ao congregar diferentes pesquisas de mestres, doutorandos e pós-doutorandos brasileiros e articular um debate com especialistas de renome convidados para as conferências centrais: direito, cidadania, identidade, políticas de inclusão e condições de trabalho. Os trabalhos dos pesquisadores foram organizados em grupos de trabalho temáticos como Comunicação, Arquitetura e Urbanismo, Educação, Psicologia, Geografia, História, Turismo, Lingüística. O modelo do seminário alcançou os resultados esperados: a divulgação do pensamento brasileiro produzido na Catalunha e o diálogo com as condições de imigração na Europa, fenômeno em que os próprios investigadores e estudantes estão envolvidos

No dia 18 de maio, o Dr. Teun van Dijk (foto, à direita), professor do Programa de Estudos do Discurso na Universidade de Amsterdam e Dr. Leonardo Cavalcanti, do Centro de Estudos sobre Migrações e Minorias Étnicas na Universitat Autônoma de Barcelona, participaram de uma mesa redonda para discutir a imigração e o direito à cidadania, tanto no discurso da mídia, como na norma vigente e na práxis cotidiana. Entre seus argumentos, Van Dijk explicou a representação do imigrante na imprensa. “Os imigrantes são tratados, de maneira geral, de forma negativa, com a utilização de metáforas”. Acrescentou que esse fato ocorre porque existe uma estrutura de elite na qual os jornalistas, os científicos e os empresários fazem parte. Portanto, essa elite também controla as informações e cabe ao jornalista, consciente desse fato, tentar redatar a sua notícia de forma menos metafórica e excludente, com um olhar crítico da realidade.

Isso é o que Van Dijk chama de grupo de mudança ou “change engement”, em que uma ou duas pessoas podem fazer diferença no processo de redação de notícias. Na prática, afirmou que o preconceito existente contra o imigrante é conseqüência de práticas cotidianas e da própria história da humanidade. “Quase não existem professores negros em Amsterdã e, nos jornais, quase não existem imigrantes trabalhando nas redações”, declara o pesquisador e conferencista.

Mera coincidência? Não, a própria herança histórica etnocêntrica européia demonstra aspectos relativos a essa situação, já que eles, ao irem à América, na época da colonização, encontraram povos em outros estados de civilização, e se autodenominaram “brancos superiores”. Esse fato, em certa medida travestido em práticas multiculturais, continua até hoje. Cabe a nós, integrantes dessa elite simbólica, tentar mudar essa realidade.

Maiores informaçoes sobre o evento, ver o site da Apec .[Por Manuela Callou]



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